CMN termina época venatória com resultado recorde

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A montaria com uma organização tripartida do Clube de Monteiros do Norte (CMN), Associação Florestal de Trás-os-Montes (AFTM) e Associação de Caça de Valpereiro, Agrobom, Saldonha, Felgueiras e Castelo (VASFEC) foi um exemplo de união que se traduziu num resultado histórico.

200 postos de caça na mancha emblemática de Agrobom, Alfândega da Fé, considerada uma das melhores da Península Ibérica, monteada por 19 matilhas, resultou em 56 animais cobrados.
Logo pela manhã começaram a chegar os caçadores vindos de todos os locais do país com grande expectativa de uma excelente jornada de caça mas acima de tudo para um convívio genuíno e autêntico. O frio de serra que se sentia a essa hora deu lugar a um sol de Inverno radiante que tornou a Montaria muito agradável. Depois da inscrição feita, seguiu-se o “mata-bicho” com direito a todas a iguarias transmontanas que vão desde o mais diverso fumeiro ao folar e bolas de carne.
Reúnem-se novamente e é aberta oficialmente a Montaria. O presidente do CMN, Nelson Cadavez, salientou o facto de este ser o último evento do actual mandato directivo e enalteceu toda a cooperação envolvente nesta montaria, realçando que apenas com união é possível que o sector da caça cresça e se fortaleça, conseguindo assim atingir os seus objectivos.
Foi nomeado para director de Montaria o ex-ministro de Agricultura, Arlindo Cunha, que foi o “pai” do ordenamento cinegético em Portugal nos anos 80 mas referiu que muito pouco se tem feito desde então, o que o deixa muito preocupado. “Estamos numa altura que, em Portugal e um pouco por toda a Europa, é considerado politicamente incorrecto falar de caça. As pessoas são maioritariamente urbanas e não entendem que a caça é um recurso natural fundamental para o meio rural e que, se for bem gerido e preservado, contribui de uma forma muito relevante para o país”, afirma, acrescentado que o Estado recebe todos os anos cerca de 10 milhões de euros do sector e os caçadores não têm nenhum retorno nem sob a forma de investigação nem de repovoamento.

Início da jornada

Chega a hora de subir para as armadas e seguir para a mancha onde permaneceram cerca de três horas. Muitos animais foram avistados, muitos tiros foram dados, o que fez com que monteiros e acompanhantes voltassem bastante satisfeitos. Os animais foram chegando com as armadas aos poucos e no total reuniram-se 56 no quadro de caça.
O presidente da AFTM, António Coelho, enaltece que o resultado deste evento se deve a uma mudança de mentalidade, de uma nova atitude inclusiva em que as pessoas percebem que a criação de escala é importante em termos de identidade. “Acabar com a individualidade e dar lugar à união para que os decisores políticos entendam que existe massa critica neste sector e que tem de ser olhada de outra maneira”, frisa.
O presidente da VASFEC, Miguel Ramalho, é a pessoa a quem se atribui este resultado excepcional pois é quem trabalha arduamente para proteger e preservar esta mancha. “Este é um momento muito bonito para nós, dá muito trabalho tratar a mancha mas os caçadores aqui da aldeia guardam muito respeito a esta mancha e só assim é possível realizar uma Montaria assim. Acho que este deve ser quase um caso único no país”, afirma.

Mercado de produtos

Enquanto isso, decorria também um pequeno mercado de produtos locais que permitiu aos caçadores levarem para suas casas o melhor da região.
O município de Alfândega da Fé tem-se empenhado em tornar este como um destino de excelência cinegético. A presidente e os vereadores fizeram questão de marcar também presença. “A caça traz, sem dúvidas, mais-valias ao território e tem de se lhe ser dada a devida importância. As pessoas vêm, ficam cá, comem e compram cá e voltam sempre por isso nem poderia ser de outra maneira”, explica a autarca Berta Nunes.
A junta de freguesia daquela localidade dá também todo o apoio possível para que esta Montaria se realize sempre com a qualidade a que os caçadores já estão habituados.
Durante todo o dia os Gaiteiros de Urrós, Mogadouro, animaram a festa. Seguiu-se o almoço/convívio com dois pratos de excelência, bacalhau e naco de vitela na brasa, que se prolongou pela noite fora.

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