A Associação Florestal de Trás-os-Montes (AFTM) aproveitou a última montaria da época venatória, que se realizou em Canelas, concelho de Peso da Régua, para repudiar publicamente a resistência ao reconhecimento da Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior como uma organização do sector da caça.
Em causa está a resistência por parte das Organizações do Sector da Caça (OSC) de 1º nível, FENCAÇA – Federação Portuguesa de Caça, Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses, Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça, e também o Clube Português de Monteiros, esta última OSC de 2º nível, em integrar os matilheiros no panorama legal da caça, reconhecendo-a como uma organização do sector para que possam ver os seus direitos representados.
Para o presidente da AFTM os matilheiros são parte integrante do sector da caça. “As matilhas são constituídas a maior parte por caçadores e como fazem parte de um processo que é determinante e fundamental para a exploração da caça maior, que é a montaria, e que sem eles não há qualquer hipótese de se realizar este importante processo de caça, entendemos que têm de ter voz activa naquilo que são os destinos e a estratégia da caça maior em Portugal”, defende António Coelho.
Em breve irá sair, finalmente, uma legislação que regulamenta as matilhas sugerida e apresentada também pela AFTM e pelo CMN e agora falta apenas o respetivo reconhecimento como OSC do sector da caça.
Para dar força a esta reivindicação a AFTM fez questão de nomear, pela primeira vez na história das montarias ao nível nacional, um matilheiro como director de montaria em Canelas. O escolhido foi o matilheiro Valter Cadavez que dedicou a montaria a todos os matilheiros do país e realçou que estes e a Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior são parte integrante e têm muito para dar ao sector.
Esta montaria em pleno coração do Douro encerrou a época venatória e o balanço foi “extremamente positivo” quer em qualidade do quadro de caça, foram cobrados 26 javalis, alguns deles medalháveis, quer em participação de caçadores. “Acima de tudo esta montaria traduziu um número de animais cobrados verdadeiramente excecional no Alto Douro Vinhateiro e é o fruto de muito trabalho, de uma gestão sustentada e racional do recurso natural que é o javali, feita com muita responsabilidade quer pelo Clube de Caça e Pesca de Canelas quer pela AFTM e obviamente com uma grande ajuda do Clube de Monteiros do Norte”, explica António Coelho.
A mancha com 350 hectares foi monteada por oito matilhas e teve 69 postos de caça.
Não há qualquer risco de sustentabilidade do javali
No discurso de abertura da montaria o presidente do Clube de Monteiros do Norte (CMN) fez o balanço desta época venatória. Congratulou todas as entidades envolvidas, que com trabalho, rigor e profissionalismo, conseguiram ao longo desta época colocar novamente a montaria em terras de Trás-os-Montes e Douro na agenda nacional das rotas das montarias. “Temos cá o património, temos as condições naturais, temos a caça, temos as pessoas com vontade de trabalhar. Constatei ao longo deste ano resultados altamente qualitativos assim como quantitativos, consequência deste trabalho profissional e dedicado”, refere Nelson Cadavez.
Nelson Cadavez censurou publicamente aqueles que, por falta de conhecimento, afirmam que no Nordeste Transmontano estão a acontecer montarias ao javali em número excessivo e de forma insustentável. “Temos de combater aqueles que, agora que Trás-os-Montes está outra vez no top, se levantam com vozes críticas no sentido de que a caça em montaria se está a fazer de forma menos sustentável. Isso não é verdade, é totalmente absurdo, quem o afirma não sabe o que está a dizer. Em todos estes territórios onde numa montaria se cobram dez animais significa que estava lá um efectivo populacional pelo menos três vezes maior, esse é o rácio médio e não sou eu que o digo mas sim os técnicos baseados no rigor dos estudos”, afirma, reiterando que o equilíbrio do javali não está, nem é minimamente, ameaçado pelas montarias em Trás-os-Montes e Douro. Referiu-se ainda à caça de salto ao javali como uma ameaça muito séria ao crescimento e à expansão de outras espécies cinegéticas como o corço e o veado devido à falta de regras e de fiscalização.
Em jeito de conclusão o presidente do CMN mostrou também o seu agrado pela presença de caçadores e acompanhantes jovens nesta época venatória.